Ossos do ofício: qual é a origem do termo?

Quebrar um galho, dobrar uma esquina, colocar o burro na sombra, lavar a égua entre outras expressões doidas que a gente nem imagina de onde veio. Você já se perguntou qual a origem das expressões e ditados malucos que usamos? E que tal saber sobre a Origem do Termo “Ossos do Ofício”? Leia nosso post e vá até a raiz do problema!

Quem ouve aqueles ditos populares, na maioria das vezes entende o que a frase pretende dizer e passa a usar sem questionar de onde raios veio a ideia de fazer daquela curta sentença, muitas vezes uma rima, a síntese de toda a ideia de uma conversa. Afinal, a frase que deve fechar uma discussão é um desses ditos da sabedoria popular. E a origem do termo “Ossos do Ofício”, como tantas outras frases estranhas, apresenta sabedoria e um fato que comprove sua validade e criação.

Vamos analisar hoje a Origem do Termo “Ossos do Ofício”.

É sempre bom saber que muitas das expressões que a gente usa no Brasil vêm de um passado colonialista, ou seja, nem todas as ideias são de autoria ‘made in Brazil’.

Alguns exemplos são as expressões portuguesas “chorar as pitangas”, já um pouco fora de uso, ou “a ovelha negra” – Veja se no Brasil alguém criava ovelhas?

Ossos do ofício

Mas tem uma expressão em inglês, “bad to the bones”, para dizer que uma pessoa é muito má, cruel, ruim até os ossos, algo que hoje, com mais conhecimento, provavelmente seria dito que a maldade da pessoa está enraizada no DNA.

A expressão “… to the bone” significa ir até o limite, o mais fundo possível. Então, você poderia acrescentar, como medida de graduação, qualquer coisa ou tema e dizer “… até os ossos”, e as pessoas entenderiam que está frio até os ossos, ou duro, ou muito macho, ou covarde e qualquer outra situação que tivesse necessidade de graduar como “muito, muito mesmo”.

Como na época em que os ditados foram inventados, o mais fundo que alguém poderia ir é até os ossos, ao se falar da origem do termo “Ossos do Ofício”, estamos indo de volta no tempo ao século 19, quando a Revolução Industrial criou a fábrica, e por consequência o escritório e a burocracia.

Para existir um bom serviço, tudo era padronizado. E um dos padrões era o papel ofício, folha de medida padrão, utilizada para todos os comunicados do recém-criado escritório. A medida era usada pelas antigas contabilidades da idade média, sobreviventes dos longos rolos de pele de carneiro.

O papel ofício, ou “legal” em inglês, tem as medidas de 216 milímetros por 356 milímetros. Usada para memorandos, contratos e cartas comerciais. Acabou perdendo espaço para o A4, medida mais comum por ser mais barata de fazer.

Acontece que o papel da época não era branco e não haviam muitos produtos químicos clareadores. A química era cara demais para a maioria das empresas. O que se usava muito para clarear as folhas de papel era o tutano.

Tutano é uma substância que pode ser transformada em pó encontrada dentro de ossos!

A origem do termo “Ossos do Ofício” vem de usar partes de ossos para clarear o papel, e gerou uma expressão que misturava um conceito novo de trabalhar até a morte, ou escrever até gastar a pele das mãos e chegar aos ossos e ainda assim continuar escrevendo ou trabalhando em seu ofício, a uma outra ideia de que o mais difícil em uma profissão, a maior dificuldade, a parte mais complicada ou o ponto desagradável mas inevitável era o “osso do ofício” e alguém tinha ido o mais fundo possível em um trabalho ou arte.

Ofício, como a gente sabe, significa trabalho, atividade remunerada.

A origem do termo “Ossos do Ofício” tem seus duzentos anos e mistura os ossos que eram triturados para extrair o tutano, usado para clarear o papel ofício dos escritórios que surgiam na velha Londres, em Lisboa e ao redor do mundo, a um contexto histórico que unia a ausência de um plano de aposentadoria e jornadas de trabalho de até 16 horas diárias.

Já deu para notar que a origem do termo “Ossos do Ofício”, além de ter uma origem um pouco macabra, tem o significado de muito trabalho, de uma vida de prisões e dificuldades e de uma época sem leis trabalhistas, uma vez que não existiam férias, não havia tempo livre, não se pagava por dia não trabalhado e as jornadas longas iam de domingo a domingo. Sim, as pessoas trabalhavam desde muito pequenas, crianças de 4 ou 5 anos, e continuavam até a velhice, talvez 35 ou 40 anos, não haviam feriados, nada de hora do almoço,

Com uma vida tão feliz e produtiva (olha o sarcasmo!), não é de se espantar que apareça uma expressão que diz que o trabalho te suga até os ossos, ou que a origem do termo “Ossos do Ofício” tenha referências ao nível máximo de dificuldade de uma função. Ou seja, não tem como realizar aquela tarefa sem passar pela parte difícil, desagradável e muitas vezes perigosa que dá significado à origem do termo “Ossos do Ofício”.

Você vai trabalhar desde muito pequeno, até à norte, vai ganhar pouco em uma função insalubre e triste e nunca vai se aposentar. Lembra algum país que você conhece?

Mais que apenas citar um momento, uma época, uma expressão com tanto significado como a origem do termo “Ossos do Ofício” apenas sobrevive ao tempo quando sua ideia central é gerada por um problema sério, uma situação realmente grave que permanece, que se perpetua. Enquanto o mal que gerou o ditado persistir, a expressão também continuará. E parece que os avanços do século 20, como a criação de leis trabalhistas, direitos dos trabalhadores e tantas outras necessidades, vão mesmo desaparecer. E parece que isso é apenas o começo. O fim do emprego vem sendo avisado desde os anos 1970 e as consequências disso, estamos vendo agora. Mas, como se diz por aí, isso são “ossos do ofício”.

Gostou da explicação sobre a origem do termo “Ossos do Ofício”? Comente, dê sua opinião!